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O argumento da campanha Não Obrigada que talvez convenceu mais votantes é o do dinheiro. É um argumento populista que mostra que uma parte da nossa sociedade é capaz de atribuir um preço à dignidade humana.
É populista mas mais que populista, errado.

Negar um aborto voluntário no sistema nacional de saúde não é poupar dinheiro público. Em vez disso é diferir custos para a próxima geração, devidamente financiados por um crédito por telefone qualquer.
No ínicio dos anos 90 o crime violento nos EUA diminiu de uma maneira totalmente inesperada. Vários especialistas e politicos rapidamente explicaram e chamaram a si os créditos pelo facto mas nenhumas das razões e politicas invocadas passam o teste estatístico. Na melhor das hipoteses existe uma correlação mas claramente a razão fundamental é outra. Um facto que nunca foi explorado pelos politicos foi a liberalização do aborto nos EUA em 1973. A liberalização do aborto apresenta não só uma uma forte correlação mas também uma relação de causa efeito com o decrescimo do crime violento. Não só taxas de queda de crime seguem fielmente as taxas de aborto mas também os 5 estados que liberalizaram o aborto 3 anos mais cedo começaram a ver quedas nas taxas de crime mais cedo.
A explicação é simples. A liberalização permite o aborto por futuras mães de classes economicas mais baixas ou com situações sociais mais desfavoráveis. Além deste conjunto de factores que estatisticamente geram adolescentes delinquentes, estudos sociológicos indicam que estas mães por se sentirem abandonadas tomam menos bem conta dos filhos, factor esse que estatisticamente contribui também para a marginalidade.
Tudo isto leva a que 16 a 20 anos mais tarde existam menos rapazes à margem da sociedade e menos raparigas com tendência a repetir os comportamentos problemáticos das mães.
O caso americano não é isolado. Outro talvez mais interessante é o da Roménia depois do regime comunista (cuidado CDS!) de Ceausescu ter criminalizado o aborto com o objectivo de aumentar a população e assim tornar a Roménia uma potência. Não só a criminalidade aumentou mas também os resultados escolares diminuiram drasticamente após a proibição. Neste caso é no entanto difícil estabelecer uma correlação forte e uma relação causa efeito em virtude de todo o clima do país.

Em resumo, ao poupar algumas centenas de euros na interrupção de uma gravidez indesejada que vai gerar uma criança maltratada e marginalizada estamos a gastar milhares em orfanatos, sistema judicial e prisões.

Outro argumento deste campo é que é necessário fomentar a natalidade e garantir a sustentabilidade do sistema de reformas. Como vemos, esse argumento não só está errado mas também está invertido. A não liberalização do aborto é um dreno na economia a longo prazo.
A maneira correcta de conseguir este objectivo é proteger a maternidade em todos os sectores, não forçar a maternidade no campo penal.

| 2007/02/04 |