Aviso ilegal: Esta página é constituida principalmente por parvoices. As notícias são falsas, a menos que dito implicitamente o contrário. As opiniões expressas são do autor e frequentemente, mentira. Quem for apanhado a usar isto como fonte, é parvo.


Costumo ler com algum prazer a coluna de José Miguel Júdice no Público. Apesar de muitas vezes não concordar com as ideias expostas a maneira clara e directa como são apresentadas é uma mudança refrescante em relação à norma actual.

Isto claro até à coluna de 11 de Agosto em que resolveu atacar o tema tabaco e escorregou como quase todos. Não estou a implicar que JMJ está na mesma categoria que MST. MST está numa categoria própria de lógica enviosada enquanto que JMJ apenas aplicou 2 técnicas comuns da geração dele, confundir liberdade com libertinagem e a falácia do bom senso comum.

Vamos então analizar os argumentos. Primeiro coloca os “fanáticos que transformam o tabaco na razão de todos os males” contra “os que ousam exercer a sua liberdade saboreando um cigarro”. Aqui temos a confusão de liberdade com libertinagem em que JMJ inverte os papeis da libertinagem de fumar, cuspir ou uninar para cima de outro com a liberdade de não ser incomodado. Colocando-me numa posição de desvantagem já que vou entrar no campo de JMJ (e ele nunca vai entrar no campo da engenharia), ele defende que as liberdades activas (fazer coisas) são superioes às actividade inactivas (não sofrer coisas).
Depois JMJ usa o exemplo (que está a tornar-se famoso) da peça centrada em Winston Churchill que por imposição da legislação anti-tabaco foi representada sem o conhecido e icónico charuto. JMJ não se interroga se os actores tentaram representar a peça com o charuto apagado, o que não iria contra a legislação. Parece-me que os actores, em grande número fumadores inveterados, não quiseram comprometer a sua “integridade artistica” mas também me parece que nunca vou saber dado que o lobby pro-fumador (os únicos a referenciar este caso) nunca explora esta faceta.
A sequir temos o ataque do bom senso comum com “se hoje é o tabaco, amanhã com a mesma lógica pode ser qualquer coisa que desagrade a quem mande”. Espero bem que sim. Com a mesma lógica vamos legislar contra o McDonalds e contra os jipes que poluem bastante mais que o necessário. Mas não é este o erro de lógica de JMJ, o erro é que o tabaco não desagrada a quem manda. Quem manda adora o tabaco, adora os impostos, adora os lucros das tabaqueira, fuma secretamente. Não pode é ignorar a vasta maioria da não fumadores que os elege.
Em seguida temos um argumento muito em voga actualmente “recusar o emprego a quem fuma é insensata proibição”. Vem-me logo à memória as declarações de um lider de uma associação pro-tabaco inglesa - “quem é que vão descriminar a seguir ? as pessoas que bebem ??”. Não percebo se JMJ está com medo que o Estado legisle neste campo ou se está com medo que as empresas decidão privadamente nesta direção. Malvadas empresas, não dar emprego a bêbados ou utilizadores de outras drogas tudo bem mas como se atrevem a não dar emprego a nicotinamos ? Só porque causam queixas dos outros empregados, são um risco de incêncio, aumentam os custos de limpeza, interrompem reuniões e têm uma produtividade miserável por só trabalharem 3 quartos de hora. Deviam manter-se como estão, a não empregar utilizadores recreacionais de cannabis e deixar os pobres nicotinamos em paz.
Vamos à tirada final “as sociedades modernas-que legislam de forma tenaz e radical contra o tabaco e incomodam pacíficos fumadores-convivem tranquilamente com a extrema miséria,com as mais abjectas e sanguinárias ditaduras, com a mutilação dos orgãos genitais de mulheres, com chacinas em massa de populações, com doenças endemicas como a malária a que não destinam recursos e que dizimam populações inteiras, com penas degradantes e desumanas como as que ainda se aplicam em certos países muçulmanos, como a pena de morte”. Nem sei por onde hei-de começar. As malvadas sociedades modernas que legislam de forma radical contra fumadores e mijadores e os impedem, respectivamente, de fumar e urinar em locais públicos (os mijadores deviam reclamar, os fumadores podem fumar na via pública). Qual será a opinião de JMJ sobre a legislação que oprime de forma radical os utilizadores de outras drogas duras (ou não são tudo drogas no mundo desprovido de ciência de JMJ ?) Temos também os pacíficos fumadores, que não incomodem ninguém excepto as pessoas à sua volta, nem sujam nada excepto o mundo à sua volta e só não são pacífcos quando estão a ressacar. Acabamos com o bom senso comum de “nenhuma criança deixada para trás”, a lógica subjacente é que enquanto existir qualquer mal maior em qualquer parte do mundo não nos podemos preocupar com nenhum mal menor em nenhuma parte do mundo. Sugiro que JMJ se indigne contra o estado de coisas e obrigue o Estado Português a legislar contra a fome no mundo, contra a miséria extrema, contra a mutilação dos orgãos genitais de mulheres, contra as ditaduras, contras as doenças endémicas e contra as chaniças em massa. Até conseguirmos legislar contra estas desgraças do mundo não devia ser dedicado nem um recurso contra os assaltos a políticos ou advogados!

(tava de férias, tinha tempo!)

| 2006/08/14 |