Antonio Pinto Leite defende no Expresso que os contribuintes com
objecções morais à prática do aborto devem poder não contribuir com os seus
impostos para o patrocionio desta prática. A lógica subjacente é que os
contribuintes não devem ser forçados a pagar, por intermédio do Estado,
actos que agridem a sua consiência.
Acho este conceito fabuloso, tenho pena de não me ter lembrado disto antes.
Desde, claro, que seja aplicado transversalmente e não seja usado apenas
como arma retórica liberal.
Segue uma lista de actos patrocinados pelo meus impostos que agridem
intensamente a consciência:
- prestar assistência médica a nicotinomanos
- construir rotundas em descampados
- construir o aeroporto na Ota
- enviar divisas para a Madeira
- contratar empresas privadas para efectuar tarefas já pagas a empresas públicas
- pagar as campanhas de partidos que mantêm contas de merceeiro
Vou ficar à espera do meu reembolso!
| 2006/11/12 |
O que é que acontece quando um grupo de linguistas aborrecidos se juntam ?
Simples, deixam o Mao Tse Tungzinho que existe dentro deles sair cá para
fora, fazem a sua revoltazinha cultural e o resultado é a Terminologia
Linguistica para os Ensinos Básico e Secundário (TLEBS).
A TLEBS contém coisas como “composto morfo-sintático subordinado” e “nomes
uniformes de género epíceno”. Caso não se lembre, o Ensino Básico é a escola
primária onde crianças de 8 anos vão aprender “epíceno”. Alguém claramente
confundiu a 1ª classe com um semestre de linguistica para gente sem nada
melhor que fazer.
E porque é que isto é estúpido ?
Porque na escola os professores deveriam estar a ensinar as crianças a falar
e escrever correctamente. Em vez disso vão a obriga-las a decorar os nomes
arbitrários e infindáveis que um bando de iluminados atribuiram às palavras
que usariam se os ensinassem a usa-las. Complicado ? Claro que sim!
Proponho que os senhores que inventaram a TLEBS sejam obrigados forçados a
refazer o Ensino Básico segundo a sua própria lógica e a utilizar os
conhecimentos que adquiriram.
Teremos então os ditos senhores a dizer em vez de “ora era a continha se faz
favor”, “demonstre o resultado de uma transformação não-linear
não-homotopica aplicada sobre o conjunto finito e fechado constituido pela
itemização do nosso consumo definida como o somatório dos valores de cada
elemento”. Ou então em vez de “o ovo caiu e partiu-se”, “o ovo realizou a
sua energia potêncial e foi acelerado pela a sua atração mutua com a massa
terrestre até que atingiu o potêncial zero e teve uma colisão não elástica
com o solo. consequentemente o sistema fechado ovo-terra aumentou a sua
entropia como predito pelos princípios da termodinâmica e as partes
integrantes do ovo distribuiram-se de modo caótico em torno do centro de
massa”.
| 2006/11/12 |