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Hoje tive o prazer de ouvir o Tó Zé Brito dizer na Antena3 que se isto da pirataria continuar em Portugal vão ter que acabar como nos Estados Unidos e pôr virus em 2 ou 3 faixas dos discos.

Caro Tó Zé, como me parece que isto foi um momento de demência temporaria que lembrar-lhe que segundo a lei portuguesa isto constitui, pelo menos, crime de acesso ilegal com dolo, sabotagem informática com dolo e fraude. Além disso apesar de o seu patrão (a Universal se bem me lembro) ficar com as responsabilidas civeis, as responsabilidades criminais “5 anos em Caxias” recaem em si.

| 2006/04/03 |


O processo de Bolonha é em Portugal, sem grande surpresa, um pequeno desastre. O que seria uma excelente oportunidade para acabar com os nos graus incomuns e refazer os curriculos está a ser levado por consecutivos ministros e governos como um concurso de fornecimento de lapiz.

Terminou a semana passada o prazo para reformulação dos cursos e entrega das estruturas curriculares que vão estár em vigor no próximo ano lectivo. No entanto, ainda não foram publicadas oficialmente as regras de organização e o projecto que está à espera de aprovação só foi terminado à duas semanas. Os cursos lecionados vão ser conformes ? Ninguém sabe.

No resto do mundo existem dois graus, bacharelato e mestrado (e todos os outros acima, mas agora não interessam). Não são iguais em todo o lado mas são suficientemente semelhantes para normalmente serem aceites sem grandes problemas de um país para outro. O processo de Bolonha consiste em garantir formalmente e certificar que os cursos não são iguais em toda a Europa mas que pelo menos são equivalentes e um bacharelato espanhol vale o mesmo que um alemão.
Porque é que o processo de Bolonha é mais dificil para nós que para os outros ? Porque nós não temos bacharelatos e mestrados, temos licenciaturas. E o que é uma licenciatura ? Tudo, desde um Masters do MIT até um papel que diz que a pessoa sabe falar duas linguas paupérrimamente e dactilografar com 2 dedos.
Quando tento explicar a estrangeiros a minha licenciatura em Eng Eletrotécnica e Computadores tenho que dizer que o curriculo é semelhante a um Masters em EE/CS e que me dá acesso directo à nossa Ordem. Mas alguém acredita que é um Masters ? Claro que não até porque nós também temos mestrados e não equivalentes a PhDs.
Por outro lado, é quase impossível alguém com um Masters estrangeiro entrar directamente para um programa de Doutoramento nacional por causa da diferença de anos curriculares.

O que é que o nossos ministros fazem ? Aproveitam para acabar com a Licenciatura ? Não, reinventam a Licenciatura como bacharelato. Agora, além de continuarmos a ter “licenciaturas” passamos a ter as licenciaturas antigas universitárias, Mestrados novos, e as licenciaturas novos politécnicas, Bacharelatos novos. E além disso temos os Mestrados antigos.
Uma trapalhada digna do Santana.

Não seria um processo Português se além da idiotice ao mais alto nível não incluisse a incompetência nos níveis inferiores. Além do atraso flagrante as comissões ignoraram totalmente a existência de faculadades e alunos. Não há recursos, nem apoios, nem tempo para fazer os novos curriculos e os curriculos transicionais.

Parece-me que é desta que começo a dar dinheiro à Ordem.

| 2006/04/03 |